De entre os bosques sombrios, as águas bruscas e enfurecidas, a raiva das tempestades, o vento que passa a correr por entre as folhas das árvores deixando-as nuas de uma realidade que nem todos a conseguem ver, ou apenas não a querem ver, onde vivem pessoas, por vezes escondidas de tudo e de todos, para não serem postas de lado da sociedade que as rodeia. Uma sociedade mesquinha, sem escrúpulos para aceitar as diferenças que na verdade são igualdades, que infelizmente não sabe aceitar as opções das pessoas mesmo quando já se vive num país dito livre.
A liberdade, essa, não existe em certos casos, apenas existe o preconceito e o medinho do toque, da troca de palavras, troca de carinhos inocentes como uma festinha na cara ou um abraço sem que nada mais venha associado a este. Mas não, as pessoas têm de fazer tudo para que as outras, aquelas ditas de “diferentes” ou “doentes”, se sintam mal e postas de lado, têm de as tratar abaixo de cão como quem pisa insectos para os esmagar, para se sentirem superiores e para dizerem “acabei com mais uma bichinha” sendo isto para muitos um acto de orgulho, quando na verdade é um acto de estupidez, falta de ética e de civismo para com os outros, esquecendo que a liberdade deles acaba quando a liberdade do outro é posta em causa, mas de que vale? Não vale de nada, apenas é tempo perdido, porque estas pessoas, mesquinhas e irritantezinhas só merecem uma coisa: desprezo.
Por vezes é difícil para as pessoas aceitarem a felicidade e as diferenças das outras, então decidem que o melhor a fazer é usar a força para mostrarem quem é que ali manda ou como é que as coisas devem ser, tornando-se assim agressivas e doentes mentais porque usam a força animal e incontrolável que nelas existe, apenas para mostrarem quem são os “machos” ou as verdadeiras “fêmeas”, e por vezes mesmo não contentes com o que fazem tornam-se covardes, ao atacarem os mais pequenos, os que não se sabem defender pois não têm culpa das pessoas que com elas vivem, se são ou não diferentes porque para estes pequenos são apenas duas pessoas a tomar conta delas, não sentem nojo por ter pessoas diferentes com elas, enquanto os outros ao quererem mostrar que são melhores não usam aquela pequenina e minúscula bolinha de ervilha que existe na cabecinha a que eles chamam de cérebro.
De que vale amar quando se é visto de lado por parte da sociedade e familiares? Deixar o preconceito de lado e o orgulho são actos que tem de ser colocados nas pequenas ervilhas destas pessoas para que todos possam ter uma vida agradável e saudável porque aquelas pessoas, a quem tratam como diferentes e doentes sofrem maus tratos não só fisicamente mas psicologicamente tornando muitos destes maus tratos em fins desagradáveis como a morte ou a tentativa de morte por parte de quem sofre, por não aguentar que os outros, ditos “os bons”, não os aceitem como são na verdade. São amores impossíveis e secretos que só escondendo da realidade das pessoas medíocres se tornam um dia possíveis.
Camila Martins